TAn – Depois de 28 anos a dar a cara pelo PSD, (8 anos na Assembleia e 20 no Executivo), porquê esta ruptura?


JT – Bom, não há propriamente uma ruptura com o PSD. O meu ideal político sempre foi e continuará a ser a social democracia, na qual acredito, desde que seja praticada com ética, justiça social, transparência e vivida com o maior respeito pelas regras democráticas e portanto com todo o respeito pelos mais básicos princípios da vivência em sociedade, o que infelizmente nem sempre se verifica.
Efectivamente, fui convidado pelo PSD, mas como não aprecio propriamente imposições, porque tenho a minha própria maneira de pensar, não aceitei a proposta que me foi feita e resolvi ficar de fora, deixando o partido à vontade para fazer o que bem entendesse.
Mesmo assim, ainda apresentei uma contraproposta com duas alternativas, (ganhadoras em minha opinião) mas também não foi aceite pelo sr. Presidente da CPC.
Mais tarde, uma delas chegou a ser adoptada, mas só foi válida por 3 dias, (de sábado até terça-feira), dado que, durante o fim de semana, o senhor presidente da concelhia mudou de ideias.
Como não foi possível acordo, avancei firmemente convicto de que cumpro o meu dever, comprometendo-me a representar todos aqueles que, desiludidos com os partidos políticos, se sentem interditos de se verem representados, e não são poucos.
Mas a final, o que é ser independente? Interrogar-se-ão algumas pessoas.
Ser independente é não estar sujeito a orientações partidárias para resolver os problemas. É pôr os reais interesses da freguesia e de todos os fregueses acima de tudo. É unir esforços em redor de um único projecto, e colocar Arganil Acima de Tudo, privilegiando a pessoa humana e o seu bem estar social, independente da sua posição, facção política ou credo religioso.

TAn – Quais os motivos que o levaram a candidatar-se como independente?

JT - Conforme anunciei na minha carta de intenções, candidato-me independente, porque, verifico que o eleitorado cada vez mais se afasta dos partidos, especialmente na política local e, tendencialmente olham mais às pessoas do que propriamente aos partidos.
De uma maneira geral o povo está desiludido com os partidos e com a classe política que temos. Tanto se fala em democracia, mas o que é certo é que cada vez mais, os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres. Cada vez a justiça social, tão proclamada por Sá Carneiro e outros democratas, é mais utópica. Todos os dias chovem notícias de reformas chorudas, nomeações para altos cargos de “boys” de competência duvidosa, fraudes, corrupções, peculatos, etc. etc. Somos já apelidados de ser o país dos ministros pobres e dos ex-ministros ricos, e isso faz desacreditar o pobre povo que tem que pagar e “não bufar”.
Com a experiencia que tenho, noto que os elementos partidários estão muitas vezes sujeitos a disciplinas impostas pelos partidos que representam, e por isso tem que agir em conformidade e não com as suas próprias convicções, na clara defesa, em primeiro lugar do partido, e só depois os interesses da Freguesia, no caso concreto.
A Candidatura ARGANIL ACIMA DE TUDO, que não é contra nenhuma outra, nem ligada a mais nenhuma, tal com a própria designação sugere, colocará sempre os reais interesses da Freguesia de Arganil acima de quaisquer outros, e procurará estar sempre com as pessoas, em especial os mais desfavorecidos. Para nós são as pessoas o grande capital da freguesia e por isso iremos dar especial atenção ao aspecto social, onde tencionamos actuar de forma activa e, sempre que necessário, directa.
Outra área que nos merece todo o cuidado é a questão ambiental, por isso apostaremos na recolha selectiva de lixos e na limpeza e preservação de espaços verdes, nas povoações ou fora delas.
Uma questão que nos preocupa bastante é o emprego, onde na realidade pouco podemos fazer infelizmente, mas daremos a nossa incondicional colaboração em todas as iniciativas que vão no sentido de fixar as pessoas, na freguesia, em especialmente jovens.
No que toca a investimentos de capital (obras), não sendo propriamente uma atribuição legal das juntas de freguesia, e apesar das despesas correntes ascenderem a cerca de 50% do orçamento, executar-se-ão aquelas cuja dimensão seja suportável e as de maior envergadura serão alvo de proposta de contrato-programa com a Câmara Municipal, com quem colaboraremos e a manteremos amistosas relações.
Outros parceiros que privilegiaremos e com quem manteremos parcerias, nomeadamente na elaboração dos Planos de Actividades, são as Comissões de Melhoramentos.
Também as associações culturais, desportivas e de solidariedade nos merecerão o maior carinho, pois conhecemos muito bem as dificuldades com que se debatem.
A nossa Campanha Eleitoral vai ser humilde, discreta e personalizada, dentro dos melhores princípios éticos, e de respeito, quer pelos adversários, quer pelos eleitores em geral. Jamais acercaremos o ridículo, como já vamos observando noutras candidaturas.
Temos consciência de que a tarefa não é fácil, diria mesmo que é um grande arrojo, mas acreditamos nas pessoas e as pessoas acreditam em nós e, unidos na verdade e na transparência, juntos conseguiremos.

Publicada por Arganil Acima de Tudo on 25 de setembro de 2009
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